Assine o Feed desse BlogPara poupar livros da destruição, governador decretou: biblioteca não pode mais emprestar livros Leia mais
Hoje é sequer impensável uma biblioteca pública na qual seja proibido o empréstimo de livros, mas o governador Antônio Carvalho a certa altura decidiu que a preservação do patrimônio público exigia a medida.
O acervo da Biblioteca Pública do Paraná estava se reduzindo por conta da destruição da maioria dos volumes, o que se atribuía aos empréstimos. Em 1870, os milhares de livros da biblioteca minguaram para apenas 1.072 volumes e mesmo algumas dessas obras estavam inutilizadas. Carvalho comunicou aos deputados:
- Brevemente expedirei ordem ao bibliotecário para não dar mais livros por empréstimo, ficando proibida a saída fora do estabelecimento e também para a compra do livro próprio, com as necessárias dimensões para o assentamento dos nomes dos visitantes, dias em que vão e obras que procurem.
O baiano Antônio Luiz Affonso de Carvalho governou o Paraná de novembro de 1869 a abril de 1870. Nascido em Salvador a 5 de março de 1828, Carvalho, a exemplo de outros presidentes provinciais do Paraná, viu-se às voltas com um mar de fraudes eleitorais, que levou o governo a anular diversos pleitos para juízes de paz e vereadores.
"Verdade nacional"
Mas ao contrário de outros dirigentes, que lastimavam essas agitações eleitorais, Carvalho considerava a efervescência positiva:
- Aquilo que alguns qualificam um mal, sublevação criminosa, a agitação dos espíritos em épocas eleitorais e que atribuem a planos pérfidos de ambições insaciáveis e ilegítimas, eu, senhores, considero vida, sintonia de interesses pela causa pública, luta necessária e sempre útil, quando sustentada nos limites legais. Dela nascem os triunfos dos princípios, a manifestação da verdade nacional e a crença nos homens e nas instituições.
Em mensagem aos deputados paranaenses, Carvalho concordou que lamentava os excessos e lamentava os erros, "mas longe de pretender sufocar os impulsos das diversas opiniões, entendo que se deve sempre franquear-lhes quanto possível a expansão, encaminhando este fervor natural nos povos livres, este zelo e ambição pela causa pública para a conveniente solução dos intrincados problemas que vão surgindo à medida do nosso adiantamento".
Nos tempos imperiais, os pais enviavam os filhos à escola por exigência governamental, mas logo que eles começavam a assinar o nome e a ler eram imediatamente retirados da sala de aula.
"Ler é vadiagem"
Para os pais, ler seria "perder tempo" com livros e descuidar dos trabalhos braçais. Ler era considerado "vadiagem", defeito moral que poderia corromper seus filhos e torná-los imprestáveis para os trabalhos que realmente dignificavam o homem, especialmente na lavoura.
Para o governador Antônio Carvalho, não era de estranhar "que haja país de família que assim pensem, quando a ignorância obscurece-lhes a razão e os faz compreender as causas de um modo falso ou mal entendido interesse os arrasta a utilizarem-se de seus filhos como auxiliares de seus trabalhos".
Carvalho contou aos deputados algo que hoje seria motivo de festa nas ruas: em todo o Paraná, durante o ano inteiro de 1869, ocorreram apenas um caso de furto e outro de roubo.
O Paraná de então contava com apenas 120 mil habitantes - a população atual de Apucarana.
As estatísticas da época apontaram a ocorrência de 52 crimes durante todo o ano de 1858, perfazendo a média de um crime para cada 2.307 habitantes e em 1869 um crime a cada 9.230 habitantes.
Se essa progressão fosse mantida, o Paraná hoje seria um paraíso no campo da segurança pública.
Ausência de luzes
O governante do Paraná também tinha algumas ideias curiosas a respeito do ensino: "Sem a religião a educação é nenhuma, sem educação a instrução é talvez um perigo".
Para Carvalho, a educação "tem por fim desenvolver as faculdades morais", enquanto a instrução deveria "formar e enriquecer as faculdades intelectuais". Entretanto, afirmou, "a educação e a instrução se abraçam e confundem muitas vezes, do mesmo modo que o ensino público e o ensino doméstico se identificam e ligam".
- Com efeito, não basta que os cidadãos tenham os mais sagrados direitos nas leis de seu país. É essencial que para bem exercê-los e gozá-los compreendam os deveres, que lhes são correspondentes e o modo de cumpri-los com discernimento.
- As constituições, por mais liberais que sejam, não podem erguer o moral do povo e felicitá-lo, quando há ausência de luzes, uma das causas primordiais dos maiores erros que afligem a humanidade.
Carvalho morreu no Rio de Janeiro e, 25 de janeiro de 1892, depois de também ter governado Minas Gerais e Bahia.
5 comentários | quem votou [31] | enviar por e-mail
Site: http://www.paisagismodigital.com.br
93 dias 12 horas 17 minutos atrás
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A função da biblioteca é colocar o livro ao alcance do leitor. Trabalhei em biblioteca por muitos anos e me sentia gratificada a cada vez que emprestava um livro, que indicava algum...
Site: http://guizovermelho.dihitt.com.br
93 dias 11 horas 52 minutos atrás
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Um dia, se o povo passar a tomar seu destino nas mãos, ainda acabaremos nos tornando uma democracia!
Site: http://abrigodesign.blogspot.com
92 dias 14 horas 35 minutos atrás
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Site: http://www.luzpropria.com.br
89 dias 4 horas 54 minutos atrás
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Site: http://outroladodasnoticias.blogspot.com/
87 dias 11 horas 4 minutos atrás
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Excelente sua informação.
Abraços do
Antonio Carlos